The more you know who you are and what you want, the less you let things upset you. (Lost in Translation)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Passenger Seat

Se eu fosse escrever tudo o que eu pensei nos últimos tempos e abordar cada assunto em um post seriam muitos e muitos textos desconexos e um tanto inacabados, eu acho. Eu tenho uma mania defeituosa de não concluir as coisas e, com freqüência, minhas opiniões acabam entrando nessa lista. Isso deve fazer parecer que eu sou mais indecisa do que eu geralmente sou. Na verdade, eu tenho um senso de justiça meio curioso. Eu detesto quando acho geniais pensamentos ultrapassados e, às vezes, irracionais. Tipo eu adoro aquilo de "olho por olho, dente por dente". Mas sou contra a pena de morte. Mais ou menos contra. Em caso de prisão perpétua, o condenado deve morrer de uma vez. Mas igual, eu não acho que deva existir algo que acabe com "o direito maior", que seria o da própria vida. Ok, meu discurso soa religioso. Eu nem queria falar disso mesmo. Fato é que eu tenho dado conselhos à minha mãe sobre coisas que, no fundo, ela deveria me alertar. Isso é um tanto estranho. Mesmo que seja coisa de mulherzinha, e mesmo que eu pense que a diferença de idade interfira aí de forma positiva. Sabe, aquele negócio do "dia seguinte" é mesmo verdade. A experiência dessa vez não foi constatada diretamente por mim, e isso reforçou minhas crenças. E, sabe, não acho mais que exista isso de "me apaixono facilmente". Sei lá, as pessoas são como são e nós gostamos delas ou não. Tudo bem, existem as variáveis (humor, contexto, blablablá), mas nada é maior do que a empatia. Sabe, é algo que se vê de longe. E nessas de pensar em amorzinho pra lá, amorzinho pra cá, eu comecei a questionar a poligamia e coisas assim. Eu pensava que casamento era uma coisa desnecessária. Tipo mais um motivo para fazer festa, brindar a hipocrisia da eternidade e blablablá. Eu acho bonito o "forever", só não gosto da pretensão de fazer o relacionamento durar. Eu penso que a própria preocupação já corrói a naturalidade da coisa. A aliança no dedo transforma a confiança em promessa, dívida, sei lá, obrigação. E o que muita gente enxerga como sendo um símbolo de, nem sei, um símbolo de algo bonito, de um laço de união, me parece muito aquela insegurança que te faz querer mostrar para os outros como você não está sozinho no mundo. E eu acho porco qualquer tipo de exibicionismo nesse sentido, ou essa coisa de fazer o que todo mundo faz sem um bom motivo. Ok, em várias fases da vida o fazer-o-que-todo-mundo-faz é um problema. E então eu comecei a ver o casamento como algo meio "ano novo". Tipo eu não acho que o amor seja necessariamente progressivo e divido em fases. Namoro, noivado, casamento, filhos, lalalá... sabe, essa rotina é meio triste. Você já sabe onde acaba. É sem graça. Eu gosto da liberdade de pensar que o afeto é o que basta, que uma cerimônia não vai tornar tudo mais importante. Eu devo ser meio perturbada. Não queria ver minhas Barbies casarem, mas saber por que elas "já vinham com calcinha". Tipo por que não fazem bonecos com genitais? Ok. Silêncio. Enfim, acho que o hábito do casamento funcionaria como acontece todo o ano, quando abrimos a champagne e pensamos que tudo vai mudar, que o mundo está se renovando e a vida é bela e tudo mais. Eu sou pessimista mesmo, mas acho que é por aí: dia primeiro você acorda de ressaca e, enfim, o mundo só parece diferente porque você (eu) não faz nada da vida e provavelmente está de férias. Grande coisa. Acho que o casamento serve pra dar esse ar de que o tempo passou e tudo pode ser melhor. Mesmo que estatisticamente isso seja mentira, fail total. Falando assim, me lembrei de um livro muito bom, pelo qual eu conheci Sonic Youth. A guria do livro era muito afudê e tinha todo um jeito de falar que era muito único. Enfim, me gusta. É meio mal eu falar assim de casamento, sendo que eu fui em um há uns dois dias e, pra ser franca, eu me emocionei. Na verdade, eu fiquei mais emocionada com a irmã da noiva. E não fez muito sentido. Eu tenho em dvd imagens muito engraçadas de quando éramos pequenas, e eu acho que fiquei mentalizando isso. Eu realmente fiquei fascinada quando descobri esses vídeos, porque eu me vi bebê ou com poucos anos e, sei lá, é engraçado quando você se vê assim. Tudo deveria parecer mais colorido e feliz. Sabe, eu não tenho jeito com crianças, mas eu realmente admiro a inocência delas. Enfim, a inocência de tudo que não perdeu sua essência. Eu gosto de tratá-las como adultos, porque lembro de ser tratada como criancinha quando eu já era maiorzinha, e eu odiava ouvir os adultos falarem agudinho e se abaixarem, como se eu fosse uma anã retardada. Não que eu não seja. Silêncio. Hahaha. Ok. A minha psicóloga tem a mania de fazer a gente refazer as frases, tipo: ao invés de dizer "tô uma baleia", dizer "eu sou uma pessoa legal e vou melhorar o meu peso". Não tão bobo, mas tipo isso. No fundo, isso me faz rir internamente. Para algumas pessoas funciona, mas sei lá. Meus problemas de auto-estima são criados por mim, e faz parte do meu divertimento me ridicularizar. Porque eu gosto, porque eu acho importante rir das coisas. Rir com as pessoas, e rir das pessoas. Eu rio de mim, quero permitir com que façam isso também. Sabe, eu acho meio chata essa aura de pecado que existe quando se faz uma fofoca ou coisa do gênero. Tudo está sujeito à crítica, ao preconceito, a uma opinião, a um julgamento. Por mais individual e interno que isso seja, o silêncio não impede que isso ocorra. Enfim, acho bárbaro quem sabe rir de si e fazer bons comentários com e sobre os outros. E eu adoro pessoas sinceras. Sinceras e espontâneas, cansei de repetir isso. Acho que é o que falta no mundo - a tal da espontaneidade. E eu penso que há diferença entre ser fiel e ser confiável. Eu detesto aquele discurso estilo "busco alguém fiel" de progama de namoro da tevê. Acho lealdade algo bem mais digno. Enfim, stop it. Andei pasma com o egoísmo absurdo de conhecidos, e a insistência em realizar trocas falsas de adjetivos. Sabe, as pessoas ficam realmente melhores ao vivo. Acho que, desse modo, certas situações não acontecem. E que bom seria se assim fosse todo o tempo. E eu acho bonitinho ser tímido. Acho mesmo. E eu fiquei dizendo pra minha mãe "não depender da bagunça da vida dos outros", o que é um tanto Amélie Poulain da minha parte. Eu tenho um pouco de medo desses comerciais pseudoinformantes sobre transtornos alimentares. No fundo, eu não sei como a gente sabe se o que a gente percebe é o que é. Filosoficamente, não existe a determinação do real. Ok. Sério, recentemente vi dois filmes muito bons. E um muito muito chato. E eu acredito cada vez mais no senso de "voutefuder" dos professores. E, curiosamente, no senso de puxasaquismo. Mas eu não deveria falar disso. O fato é que tá calor, e eu odeio calor. Tenho uma lista musical bem novinha e muito ótima. Eu gosto de quando consigo me espelhar em alguém. E eu gosto da sensação de 'querer cuidar'. Eu passaria noites em claro ouvindo música, falando de cicatrizes e pintando paredes. Acho que estou gostando de ser eu. De novo, e diferentemente. E tem uma coca-sem-gás me esperando na geladeira, beijos. Outro dia falo sobre a hipnose e a briga interna que ocorre nesse momento.




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

the day after


hoje aconteceu uma coisa superchata, e eu fiquei pensando que amanhã será pior. o 'dia depois' é sempre pior. o dia depois de um assalto, de uma briga, de qualquer coisa que pareça definitiva e nos cause dor. a mensagem toda está só nessa idéia, assim mesmo, injustificada... não existe argumento: você dorme (tudo bem, rola na cama e não dorme direito - mas dorme) e acorda com aquela sensação de quem recém levantou do chão após levar um soco na cara. acorda e demora um tempo a mais para se situar no mundo. então, finalmente a cena do dia anterior começa a brilhar ativamente na consciência. arrependimentos à parte, a coisa toda é uma merda. é o tipo de coisa que não pode ser encarada com a mesma naturalidade com que um viciado em algo comemora a distância de seu vício. um dia a mais parece ser um dia a menos com o que supria nossa necessidade (nem sempre percebida até chegar o momento presente). fica claro que a realidade se faz da continuidade da vida, que planos são planos - têm condição parasita, necessitam de nossas ações para serem reais. e para se desfazerem também. é esse o verbo: desfazer. o dia depois é o dia do desapego involuntário, do luto amargo, da cobrança por uma atitude. arrumar o que se pode arrumar, esquecer o que não tem jeito. assim, sem traumas, sem floreios e poesia. a lei diz que o planeta não vai parar de girar, que tudo continua a ser o que era (ainda que em constante renovação). e, de repente, vem a não-sintonia, a vontade de pular para fora de tudo, mergulhar no vazio sentimental da perda, da esperança que embriaga e enlouquece, da razão pontiaguda. não se trata de pessimismo - é um fato: o dia depois é o pior. ansiedade, desconforto, pânico, medo, tralalá. e não é que depois a melhora seja notória e progressiva... mas, não importa, o dia depois é sempre o dia depois. o dia em que tudo se choca, em que o que era palpável se mostra inalcançável, em que entramos em conflito e ficamos revoltados com o que aconteceu no ontem e o que acontecerá no amanhã. é o dia em que o céu prepara o sol pra chuva que não quer vir, para a tempestade imprevista - e essa preparação simplesmente existe, sem consentimento ou previsão de um futuro bom. e a falta de pretensão, nessas horas, é o único e melhor remédio. esquecer, expulsar qualquer pensamento. qualquer esforço para se afastar é válido, mesmo que geralmente acabem sendo incapazes de produzir qualquer efeito positivo. enfim, o dia depois. a porcaria que é ter que acordar de uma noite de incômodo para presenciar o pesadelo. e é assim mesmo, bem trágico e por vezes exagerado. e nem por isso deixa de ser igualmente verdadeiro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Orchard of my eye

Oh you, you are the orchard of my eye
I couldn’t help but re
cognize
You were standing in my way

And you, dream of rainbows in gray skies,
Couldn’t help but re
alize
I feel the way I do

When we fall, we’ll fall together in the end
Please don’t tell me I’m your friend
I am not your friend when you call
I’ll come stumbling to your side,
and by your side I will stay

They are the goons we shouldn’t fear,
Making faces breaking mirrors –
I wish that they’d just stay at home,

But while we’re on the outside looking in,
Let’s take pleasure while we can –
Because it’s coming to a head

When we fall, we’ll fall together in the end
Please don’t tell me I’m your
friend
I am not your friend when you call
I’ll come stumbling to your side,
And by your side I will stay

I am much more than your friend.


{ The Pains Of Being Pure At Heart }


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Gold Soundz

Ele parou o carro no posto de gasolina. Deixou o cara do posto enchendo o tanque e entrou na lojinha para comprar chicletes e coca-cola. Quando ele começou a se aproximar, eu fechei a janela do carro - deixei que o vidro escuro me deixasse quase invisível. Eu me sentia melhor assim, gostava de observá-lo sem que ele percebesse. Voltou com duas cervejas, os chicletes, a coca e uns três pacotes de bolacha. Pegou a chave com o cara e, uns segundos depois, estávamos de volta no asfalto. Durante a viagem, ouvíamos qualquer coisa. Digo isso porque nosso gosto era mesmo parecido. Músicas, livros, filmes e todas essas coisas que parecem dar mais sentido e personalidade às pessoas. Não exatamente tão clichê. A pretensão não era voltada para uma tentativa de fazer nascer qualquer porcaria de sentimento, apenas existia a intenção de aproveitar os acontecimentos. Se temos que viajar, que seja legal. Se queremos viajar, e queremos ir juntos, ok. Simplesmente ok. Estrada, noite, vento e música - nada errado. Eu sempre gostei de ficar olhando para o cabelo dos outros, mas, com ele, minha atenção sempre se voltava para sua barba enigmática. Eu falo isso porque nunca soube se ela era como era propositalmente ou por preguiça, acidente, qualquer outro motivo aleatório. Eu gosto de coisas inusitadas, e barba por fazer, e pessoas que se vestem bem porque realmente combinam com o que vestem (e não, necessariamente, porque combinam as peças ou coisa que o valha). Ele dirigia com uma mão na direção, falando besteira atrás de besteira. E como eu adoro besteira! O fato é que eu ri muito durante a merda da viagem. Aquelas seis horas passaram muito, muito rápido. Devo ter ouvido os melhores cd's do mundo e dito todas as coisas que me passaram pela cabeça. E, quando ele falava, eu ficava olhando a boca dele se mexendo. E pensando na barba, na maldita barba. E em todo aquele cabelo, que eu não hesitaria em bagunçar. Acho que uma das minhas marcas é despentear as pessoas. Tipo isso. E ele falava e abria tanto a boca, como se fosse comer o mundo com as palavras. E eu achava graça, eu sempre achei graça. Do lado dele, eu me sentia como uma música dos Pixies, um clipe de Killers, sei lá. Lost in Translation com o humor de Skins. Whatever. O fato é que madrugada combina com humor porco, e revelações, e todas as coisas sinceras e longe de serem avaliadas como certas ou erradas. Certos segredos só se vivem com estranhos. E é legal ter do seu lado uma pessoa de barba enigmática - ajuda a manter o ar impessoal. Eu me enrolei num casaco, encostei a testa no vidro e fiquei vendo as árvores se tornarem borrões no escuro. Sempre me pergunto o que eu faria exatamente se, do nada, estivesse do lado de fora do carro no meio do caminho entre uma cidade desconhecida e outra-que-sei-lá-qual-é. Ele me contou sobre suas férias de seis anos atrás, sobre sua relação com sua irmã, enumerou os defeitos da antiga escola e fez umas trocentas listas sobre todos os álbuns que eu tinha que ouvir. E me falou dos amigos, de como aprendeu a tocar baixo e todas aquelas histórias que eu gostava de ouvir repetidas vezes - apesar de ele raramente repetir alguma. Sempre tinha algo novo pra contar, uma nova porcaria que algum infeliz tinha feito. Eu gostava de fazer parte daquilo, gostava de estar ali comentando tudo abertamente. Trocávamos xingamentos e depois ele sempre me abraçava daquele jeito diferente. Grosseiro e afetuoso. E extremamente "dócil". Dócil é uma palavra estranha, mas se encaixa nessa situação. Por vezes, sentia vergonha por alguma grande merda que eu dizia. Daí, ele olhava pra mim com aquela cara de indiferença e dizia que eu tinha que agir assim mesmo. Grande merda mesmo. E, realmente, grande merda. Acho que as boas coisas realmente nascem daí, dessa espontaneidade, desse "eu sou assim mesmo" - que torna os erros apenas enganos passageiros (e pronto). Tudo é mais simples se é espontâneo, se ocorre naturalmente. Tudo cru. Cru. Cru é uma boa palavra, e é do tipo que ninguém fala ou escuta com muita freqüência - a não ser quem trabalha em uma cozinha. E eu sei lá se ele sabe cozinhar. Sei que a gente come qualquer coisa, como escuta qualquer coisa. Qualquer coisa, menos pastel de palmito com massa integral. Sabe, se eu for pensar bem, ele é organizadamente desajeitado. E eu adoro isso. Adoro pessoas que não parecem perfeitas e acabam se passando por isso justamente por serem exatamente como são. A gente dividiu a coca, acabou com os chicletes e se divertiu cantando rap e falando mal de quase todo mundo. Isso era uma coisa que eu admirava nele, esse "quase". A linha tênue entre o fazer ou não, que acabava silenciada no não. O silêncio, o silêncio dele era outra coisa que me intrigava. E, quando vencíamos a distância, e a barba se aproximava do meu rosto, eram seus olhos inusitados que me roubavam a atenção. E eu gosto de como grande parte da história é besteira, grande parte se resume em barba e cabelos e roupas. Nem só de subjetividade vive uma pessoa. O que é externo e visível importa, importa porque também agrada. E desagrada. E eu não sei se agrado. O fato é que eu continuo fechando a janela toda vez que ele se aproxima, numa tentativa de me esconder e poder observá-lo à vontade, livre da minha identidade e da responsabilidade de ser eu. Tem pessoas que me agradam tanto que, nem sei, me fazem querer estar por perto, mas escondida. Não seria insegurança. Talvez eu seja desajustada também. E grosseira, às vezes. Tanto faz, ele não se importa com essas porcarias. Ele é desses caras que fazem a gente ser a gente, defeituosamente a gente. E do jeito bom e lindo também.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ecce homo

Pensando bem... "não", sabe? Não... Simplesmente não. Que saco. Chega dessa falsidade, do sorrisinho pra cá, do blablablá pra lá... stop it! Eu não sei até que ponto as pessoas vão para evitar conflitos, mas existe um limite até mesmo para o autocontrole. Eu não vinha pensando nisso, mas agora me pareceu realmente óbvio. Não se trata de uma resposta vingativa, mas de uma conseqüência. E só. Conseqüência originada por ações impensadas, puramente egoístas. Eu não deveria achar tudo normal, não deveria encontrar sentido onde ele não existe. E, tampouco, deveria aceitar algo que me corrói em troca da boa noite de sono alheia. Desculpas, desculpas, desculpas... dizer que simplesmente "aconteceu" não resolve nada. Não torna alguém menos responsável por suas ações. Os fins justificam os meios? Não. Nem sempre. Quandos lidamos com pessoas, temos que entender que o que fazemos afetam-nas diretamente. Ignorar isso só demonstra imaturidade. Dizer que cada um tem de cuidar de si não é o suficiente para me convencer de que podemos fazer o que quisermos com qualquer um, de qualquer jeito. Não... simplesmente não. Não querer enxergar isso é de uma covardia tão absurda. E cada interrupção do desabafo que fora silenciada? Se existe uma consciência, uma consciência que teima em parecer tranqüila, que ela arque com os resultados das ações de seu dono - que ela se mantenha intacta e preciosa diante da feia realidade. O não querer não justifica o erro - a imprevisibilidade é uma constante, não uma aliada. Não critico aqui o que outros chamariam de mentira, mas a negação dos fatos (a fuga, a cegueira, a surdez momentânea). Posso oferecer uma possibilidade, mas a certeza já não me pertence. E não acho triste isso: pior seria cultivar a angústia de ver tudo acontecer sem esboçar nenhuma reação. Não vou ficar confortável em continuar fingindo não ter nenhuma opinião a respeito de tudo para que os dias pareçam mais coloridos e felizes. Já não falo em estado de luto, mas na posição de alguém inteiro que se decepcionou. E acho engraçado esse tom de culpa que existe ao dizer que se está decepcionado - como se a culpa fosse minha de esperar mais do que um indivíduo me deu. A fantasia, é claro, faz parte disso - mas as atitudes das outras pessoas partem unicamente delas - e, quanto a isso, não há quem se salve de alguma inferência. Sensibilidade serve justamente para evitar conflitos maiores. Tato. Só isso... não me parece difícil. Difícil é erguer a cabeça todos os dias e se sentir orgulhoso de quem você se tornou. Mais do que orgulho, sentir que existe um reconhecimento pelas ações arquitetadas. Enfim. Se não está tudo bem, não está tudo bem. Um dia, isso se ajeita. Ou não. E que seja (ou não seja) do jeito que acontecer.


Eu quero ser alguém capaz de me tornar o que eu sou, e não apenas viver acreditando ser alguém.
O que alimenta a imagem não enriquece a alma. Pelo contrário, só faz aumentar o vazio.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fat'bottomed Girl

"Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também

Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também"


Esse trecho de "Eu sei" tocou em boa hora: estava conversando e refletindo sobre o ser humano - o ato propriamente dito. Ok, não exatamente tão vago assim... O assunto é mais direcionado para situações "dolorosas". Sim, vale a idéia de que o sofrimento é opcional (a velha história) - transformar o luto em melancolia é só para os artistas... Tenho um amigo um tanto Shakesperiano, e (sei lá se ele sabe disso) sinto um superorgulho da atitude (um tanto romântica) dele de mostrar suas fraquezas, pedir auxílio e, enfim, não bancar o machão insensível. Não pretendo dar início a um discurso do gênero "mulheres gostam de caras sensíveis", a idéia não é nem de longe essa. E nem sei se gostam ou não. Pouco importa. Ele está mais maduro, menos dramático talvez. E anestesiado (eu gosto dessa idéia). Depois de um tempo, independente do aprendizado que adquirimos e da freqüência das decepções, acredito que vamos nos acostumando com os fatos e sentindo-os menos a cada vez que se repetem. Não é que sejamos tolos a ponto de deixarmos tudo acontecer do mesmo jeito, não é mesmo. Cada caso é único. Enfim, só queria dizer que acho bonita a verdade, acho que as lágrimas são dignas - foda-se se o responsável por elas merece ou não. Foda-se. Umas das coisas mais admiráveis pra mim é justamente a grandeza de cair e levantar. No palco, na vida, anywhere. Eu falei sobre isso aleatoriamente. Não me identifico com essa situação. Na verdade, fiquei pensando que eu adoro (mesmo) relacionar amigos com personagens equivalentes [?]. Até hoje, acho que só fiz isso com dois. Lestat/Louis e Arthur. Ok, o primeiro exemplo ficou meio infeliz. Mas eu gosto dos dois, acho que se completam. E o Arthur, ah... Nossa, sou apaixonada pelo Rei Arthur. Arthur, Morgana, Merlin, Vivian, blablablá... Quanto ao Holden Caulfield, sei lá... eu sou ele, é meio arriscado desejá-lo na minha frente. Fora que ele é um tanto cinza. Mas um tanto cinza mesmo. Tem dias que nem eu me agüento. Mas , enfim, o Holden é eterno. Eterno. Por falar nele, hoje eu vi a terceira edição (terceira!) do Apanhador em cima de uma mesa e, ai, babei. Bons livros quando são velhos são tão mais atraentes. Ai ai. Nossa, estou muito emocionada com as aulas. Tipo muito mesmo. Aquilo de chegar em casa exausta e ir correndo ver o que tem pra fazer. Nesse domingo, bizarramente eu senti falta de ir pra UFCSPA. Senti falta das pessoas, dos comentários, das risadas. Às vezes, é verdade aquilo que dizem sobre uma janela se fechar e uma porta se abrir. Sou meio teimosa, mas procuro manter a cabeça aberta. Sei lá, eu sou boazinha. Não do tipo padrão, é claro: eu invento apelidos e sou um tanto cretina mesmo. Mas sou boazinha. Acho interessante o diálogo, necessário ceder, fundamental respeitar. Não é uma boa idéia do destino me fazer pensar que minhas primeiras impressões, meus primeiros julgamentos, estão certos: mas é delicioso poder pensar que minha intuição é generosa comigo. Ok, essa frase ficou estranha. Sei que ando falando com gente diferente, que tem me surpreendido litros. E tem sido ótimo. Cada vez mais eu me acho meio esquisita por ser a saiazinha entre as bermudinhas [?], mas, no fundo, é o que me faz bem. Acho que os caras te mantêm no lugar, gurias te puxam pra lá e pra cá. Ah, não quero explicar isso. De qualquer modo, sou aberta. Gosto de cuidar dos meus amigos, gosto mesmo. E tem sido um ótimo período pra isso. E eu estou parando de roer unhas do nada. E comendo menos chocolate (mas isso aí não reflete exatamente a minha vontade...). Eu acho engraçado quando sofro com essas mulherzites do tipo se identificar profundamente com "Bette, a feia". É tão fácil conhecer o inferno às vezes. Enfim. Ui, achei muito profundo e exagerado o que eu disse. Eu queria ficar falando sobre qualquer coisa, mas foi inevitável falar de mim. Acho que estou bem. Não tenho certeza, depende do momento. Depende de o quanto eu estou disposta a refletir sobre minhas atitudes de uma maneira justa para mim e todo mundo. Eu sou trouxa, sou trouxa o bastante para me ferrar no lugar dos outros. Mas é puro egoísmo isso, puro egoísmo segundo a filosofia. Infeliz como parece que eu estou propaganda de "Ivy, a coitada"... Nem é isso. Sabe, ainda que eu me ferre, eu faço o que me faz bem. Se eu achar válido me ferrar, eu me ferro. E acho que ultimamente eu estive suportando muitos problemas que não eram meus - não estou tão disposta a me sujeitar a certas situações. Continuo sendo uma "pessoa substituta", do tipo que quer te deixar bem a todo custo. E continuo me identificando com a Clementine, mesmo que não deseje a história dela. E, antes de tudo, continuo exercendo meu papel de "pessoa-que-espera". Só que eu cansei por ora, só isso. Festas animadas, com gente esquisita e gente linda, têm me alegrado, me feito pensar. Mais do que nunca, tenho adorado ser a dona da casa e a dona da minha vida. O final foi só pra fechar com estilo, porque a preguiça de escrever mais bateu. São 04:18 no relógio. E, sei lá, não estou "blé". Me disseram que pareço mais insensível e estou mais fechada. Talvez. Creio que sim. Mas continuo sendo eu, seja lá o que isso signifique. Estranha necessidade de ser abraçada em conflito com a vontade de evitar qualquer contato. Ok, não necessariamente qualquer contato. Mas odeio os nordestinos e analfabetos que surgem no msn. De novo não é um bom "final". Ok, acho que fica mais bonitinho se eu disser que estou com vontade de caminhar por aí e falar merda em boa companhia, comendo balas de gelatina ou qualquer coisa que me faça pensar que minha barriguinha é de felicidade [?]. Ou não. Beijo pro meu pai, pra minha mãe, e pra você!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Peach, Plum, Pear

We speak in the store
I'm a sensitive bore
You seem markedly more
And i'm oozing suprise

But it's late in the day
And you're well on your way
What was golden went gray
And i'm suddenly shy

And the gathering floozies
Afford to be choosy
And all sneezing darkly
In the dimming divide

And i have read the right books
To interpret your looks
You were knocking me down
With the palm of your eye

Go; na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na

This was unlike the story
It was written to be
I was riding its back
When it used to ride me

And we were galloping manic
To the mouth of the source
We were swallowing panic
In the face of its force

And i was blue
I am blue
And unwell
Made me bolt like a horse

And; na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na

Now it's done
Watch it go
And you've changed so

Water run from the snow

Am i so dear?
Do i run rare?
And you've changed
So

Peach, plum, pear
Peach, plum


Joanna Newson